Vivemos em um mundo em que realidades próximas conseguem ser extremamente opostas. Alguns vivem de forma simples, despreocupado. Tem acesso a conhecimento e o abraçam por puro prazer. Outros nascem em ambientes estranhos, e tem uma vida diferente. Nem sempre podem ser despreocupados, às vezes acabam convivendo cedo demais com o lado sujo do mundo. Não tem acesso ao conhecimento como deveriam, e acabam por conhecer cedo demais coisas que não deveriam. É mais que a velha história de “o pobre e o rico”, seria como “o que nasceu bem, e o que nasceu mal”. Porém, ainda que dois indivíduos tenham nascido em lados opostos, sempre existe a possibilidade de mudança, de encontro e a chance de uma vida nova. Em partes, Stella é sobre isso.
A abordagem da estreante Sylvie Verheye é delicada, e é notável seu esforço para aproximar a personagem do público. A narração da própria Stella é a principal responsável por seu sucesso nesse ponto. Além disso, Sylvie mostra certo apuro técnico em sua forma de filmar, e tem a ajuda de um competente elenco (com destaque a Léora Barbara, a protagonista) para compor cenas marcantes.
O fotografia do filme é discreta, mas bonita, mas o que mais trouxe beleza ao filme foi sua ambientação: os anos 70 franceses. Os figurinos, os personagens, e principalmente a trilha sonora. As músicas dão o tom certo para cada cena e são lindas. Principalmente nas cenas no bar dos pais de Stella, ela cria uma imersão incrível.
Stella tem apenas alguns defeitos. O primeiro deles é perder a qualidade conforme vai se aproximando dos momentos em que Stella vai descobrindo seus sentimentos. Há um fato que poderia ter sido bem mais marcante, mas o filme passa quase por cima. Parece que simplesmente depois de uma hora e vinte de metragem, o filme perde o fôlego e acaba quase se entregando nos minutos finais. Mas ainda sim, os momentos finais de Stella voltam a ter certo brilho.
Por fim, o resultado é satisfatório. Stella é um filme que consegue cumprir o seu o objetivo, e é competente nisso. É um filme sobre a evolução de um personagem, ou simplesmente: o amadurecimento de uma menina. E ao final de tudo, uma frase resume a trajetória: “Ela começou lá de baixo, e conseguiu evoluir”.


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