Foi simplesmente assim: um dia abriu os olhos, e deu-se conta que existia. Olhou ao redor e reconheceu tudo, sabia o que era mato, cimento e pele. Sabia andar e tinha corpo de homem feito, porém não conseguia falar. Visto que aparentemente acabara de nascer, simplesmente não sabia o que fazer.
Então seguiu os ruídos, e viu-se no meio de uma cidade. Era ainda cedo e uma mulher caminhava em direção a um ponto de ônibus. Viu nela a sua esperança e se aproximou para tentar pedir ajuda. Como não falava, tentou gesticular e emitir os ruídos que conseguia, em sua espécie de linguagem primitiva.
Ela se virou surpresa quando sentiu a mão lhe tocar o ombro, porém quando viu quem tinha lhe tocado deu um grito que quase derrubou o pobre recém-nascido de susto. Fizera isso por um único motivo, que o coitado não tinha percebido e tampouco entendia: ele estava nu.
Seu grito foi ouvido por um guarda que passava próximo e ao ver a cena nem fez perguntas, subentendeu que o homem era um tarado ou estuprador e correu para lhe descer o braço. E o recém-nascido nada pode fazer além de apanhar e ser levado a delegacia. Menos de uma hora de vida, sem nome, mas já com ficha policial.
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